Prometi que não choraria…
Prometi que iria pela primeira vez à nova morada da nossa estrelinha…
Não consegui cumprir na íntegra.
Sabia que a minha visita daria alguma tranquilidade a ambas. Nunca estivemos tanto tempo ausentes como agora.
À hora do almoço, enquanto almoçava, meia dúzia de palavras desencadearam as lágrimas.
Essas que tinham andado toda a manhã a tentar brotar.
Estava a chegar a hora da visita…não tinha a certeza de conseguir.
Este era o momento que eu não queria.
Ainda não tinha conseguido reunir forças e coragem para procurar a sua nova residência.
Sabia o nº, mas desconhecia a localização, mas não foi difícil lá chegar.
Passei primeiro pela florista, onde comprei um bouquet de flores.
Algo muito simples, cuidadosamente escolhidas e ao gosto de quem as iria receber.
Flores coloridas, com um aspecto aveludado e belo. O bouquet ficou com um aspecto bem harmonioso e digno de presentear uma aniversariante.
Lá fui…Pelo caminho foi interiorizando que a minha visita seria unicamente para felicitá-la pelo seu aniversário, colocar-mos a conversa em dia e desejar-lhe que continue tranquilamente a sua caminhada, porque nós estamos todos bem.
Memorizei alguns assuntos que me pareciam de maior importância…como se ela não soubesse tudo o que se passa.
Mães galinhas!
Entrei…pela primeira vez percebi que aquele lugar tinha algo de belo, mas em simultâneo achei que estava a ter uma sensação estranha e estúpida. E questionei-me de como poderia achar que ali havia algo de belo?
O meu olhar percorreu todo aquele lugar, como se olhasse para o infinito.
Não foi difícil chegar até a sua morada. Destacava-se ao longe.
Tinha flores…muitas flores. Coloquei cuidadosamente as nossas (amigas do coração) ao lado das restantes e disse-lhe que todas lhe desejávamos um feliz aniversário.
Fiz todo o esforço para não deixar rolar as lágrimas, mas não aguentei, no entanto ela recebeu-me com o seu sorriso.
Afinal já não estavas perto uma da outra havia algum tempo e pedi-lhe desculpar por chorar. Referi que não era por angústia, mas sim por emoção e alguma saudade. Sei que me entendeu!
Falei…falei e depois de lá estar um bom bocado cantei-lhe os parabéns, acariciei-lhe todas as flores e despedi-me com imensa pena de ter de abandoná-la. Melancolicamente percebi que já não estamos no mesmo mundo, mas isso não importa porque a nossa amizade mantém-se, e ali é sempre um sítio agradável para conversar.
Saí calma e tranquila e com vontade de lá voltar…Senti-me bem, senti-me reconfortada…permanece bem presente aquele ombro amigo.